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2010

CULTURA :: ARTIGOS :: LIVROS

O espírito japonês e o Aikidô

O Aikidô foi desenvolvido no Japão e portanto está profundamente enraizado nos princípios do modo de ser japonês.

Os valores morais, obediência à hierarquia e observação às regras de cortesia, pontuam e servem de pilares no desenvolvimento da arte. Difundido pelo mundo e passados muitos anos desde o surgimento, o Aikidô preserva os preceitos do seu fundador.

Os ensinamentos procuram desenvolver o ser humano de forma integral, identifiacando o homem com o universo. O Aikidô nos é apresentado como uma epifania profunda e maravilhosa, e não mero sistema de empurrões, bloqueios e imobilizações. Sem a compreensão da essência, as técnicas jamais ganharam vida.

A prática abrange um aspecto mais amplo da vida, um meio de conviver com a sociedade e de se relacionar com a natureza em harmonia com o próprio corpo e com o universo.

Hakama

Hakama é uma peça tradicional do vestuário samurai. Usado sobre kimono branco, comum em outras artes marciais, seu uso é parte da tradição de muitas escolas de aikido. Existem diferentes estilos de hakama. O tipo usado hoje em dia pelos artistas marciais ? com "pernas" ? é chamado joba hakama. Em muitas escolas somente os faixas-pretas usam hakama, enquanto que em outras, todos os praticantes usam. Em algumas academias, as mulheres já podem começar sua prática usando hakama, mais cedo que os homens, sendo o pudor feminino a explicação geralmente dada para esta situação. Aikido, criado como arte marcial do pós-guerra, encontrou um Japão devastado. Sua população economicamente fragilizada, encontrada dificuldades até para se vestir. Alguns dos alunos não tinham condições de comprar uma vestimenta completa para prática do aikido. Em contrapartida, haviam lutadores de renome que se vestiam com suntuosos hakama. Numa tentativa de abrandar este tipo de diferença entre seus alunos, O'Sensei instituiu um tipo padrão de hakama. As sete pregas do hakama (cinco na frente e duas atrás) têm o seguinte significado simbólico:

1. (Yuuki) Coragem
2. (Jin) Benevolência
3. (Gi) Retidão
4. (Rei) Cortesia
5. (Makoto) Sinceridade
6. (Chuugi) Lealdade
7. (Meiyo) Honra

Kimono de Seda do Tipo Nuihaku

O kimono que, literalmente, quer dizer "veste", é a tradicional vestimenta japonesa para homens e mulheres. Consiste numa ampla túnica de mangas compridas, cobrindo tudo, exceto os pés e apertada à cintura por uma tira de pano chamada "shita-gime". Sobre ela vai o obi, ou cinto de damasco. O Nuihaku é o tipo de kimono usado pelos artistas que fazem as partes femininas no teatro Nô. Desde o começo, as mulheres, por motivo de ordem moral, não podiam subir ao palco e atores homens faziam todos os papéis, tanto femininos quanto masculinos. Em suas várias personificações, usavam tipos particulares de máscaras e de costumes. Nuihaku eram roupas feitas especialmente para mulheres, em tecido decorado de maneira preciosa ou bordado em folhas, com fios de ouro entre tecidos ou superimpostos (Nuihaku significa ao pé da letra "superimposto"). O desenho se compunha, em geral, de motivos florais. O exemplo reproduzido é feito de grandes retângulos vermelhos e brancos. A decoração inclui plantas, festões e pequenas pontes. Foi bordado em seda e fios de ouro, e traz o poético nome de "flores e plantas das quatro estações".

Caligrafia

Para a maioria dos ocidentais, caligrafia nada mais significa do que, literalmente, escrita bonita. É usada em diplomas, cartões de felicitações, convites de anivesários e casamentos,. Para orientais, a caligrafia é uma arte como a pintura, apreciada como representação tanto pictórica como ideográfica. A estética chinesa, com efeito, curiosamente exclui a escultura da lista das belas-artes, considerando-a trabalho manual. Mas dá grande importância à caligrafia. Fusão de uma idéia e de uma imagem, a caligrafia leva em seu bojô não só conotações de signos legíveis, mas também um sentido. Deriva do tipo de escrita definido no último período Ham (25-220 d.C.) e sofreu alterações em várias regiões e épocas. Passou de simples invenção estilística da dinastia Shang-Yin (1766-1122 a.C.) para os elegantes floreios da dinastia Yuan (1280-1368). Dentre suas variedades, contam-se o k'ai shu, ou estilo da "escrita regular", ou hsing shu, ou estilo da "escrita fluida", o ts'au shu, o estilo da "escrita relva". Os interessantes ritmos criados entre o sólido das tintas e os espaços vazios do fundo, são, realmente arte em branco e preto, um ritmo de forma e espaço.

Tien Shen – Bambu

Pinturas de bambus eram particularmente estimadas pela escola intelectual chamada "da pintura de poeta". Isto é fácil compreender se se lembra que a pintura chinesa derivou da escrita e da caligrafia, representações gráficas de idéias e coisas. Diz-se muitas vezes que o bambu, flexível e robusto, simboliza o homem curvando-se e endireitando-se sob os golpes da adversidade. Mas, talvez, seria bom lembrar, também, o quanto essas formas vegetais, e suas hastes delgadas e elegantes, de folhas pequenas, e constantemente se agitando, se prestam às pinceladas rápidas da caligrafia. Daí, talvez, o favor do motivo, sempre presente junto aos pintores, poetas e calígrafos.

Zanshin - Espírito do Gesto

Zanshin é o espírito que fica, que permanece sem se apegar, o esírito que está sempre vigilante. O Zanshin se aplica a todos os atos da vida. A beleza natural do corpo é o reflexo do treinamento do espírito na concentração dos gestos. O trabalho manual, agricultura de arte ou de artesanato, não condiciona apenas a saúde do corpo e a habilidade das mãos, mas também a agilidade do cérebro. Através do exercício, os gestos tornam-se naturais e controlados e o corpo encontra sua beleza. A ação natural é inconsciente e perfeitamente bela.

Seiza

O verdadeiro Zen é praticado sem motivação, sem finalidade, sem mesmo procurar o despertar. Não é preciso ir ao Japão para encontrar o autêntico ensinamento do Zen. O verdadeiro Zen é aqui e agora, no nosso corpo, no nosso espírito. Se a postura e a respiração são adequadas, o espírito reencontra a sua condição natural. Não há nada para ser obtido. Nada para acontecer. Não procurar a verdade, não fugir à ilusão. Simplesmente estar presente. Aí, então, aparece a consciência profunda e pura, universal e ilimitada.